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Identificar, avaliar, orientar e comprovar

A NR-1 (item 1.5.3.2) pede que a empresa evite os perigos, identifique os que existem, avalie e classifique os riscos, implemente medidas de prevenção e acompanhe o controle, considerando as condições de trabalho nos termos da NR-17. Na Meta, esse trabalho tem quatro etapas: identificar, avaliar, orientar e comprovar. O questionário é uma das fontes; o diagnóstico é o cruzamento de todas elas, lido pela equipe de psicólogos responsáveis técnicos. O que segue é a ordem em que o trabalho acontece, e o que a norma pede em cada passo.

As quatro etapas do trabalho da Meta

IdentificarAvaliarOrientarComprovarReabre a cadadois anos

Comprovar não encerra o trabalho. O resultado aferido em cada medida é o que alimenta o diagnóstico seguinte, e por isso a última seta volta para a primeira etapa.

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Identificar

Ouvimos os funcionários

Antes de qualquer pergunta. Reunião de alinhamento com a direção e com quem responde pela SST na empresa. Saem dela o plano de trabalho (instrumentos, calendário, responsabilidades, produtos), o mapa de grupos de exposição e as regras de sigilo por escrito: ninguém da gestão aplica o questionário nem acompanha quem respondeu, a empresa não recebe resposta individual, recorte pequeno não é apresentado. Os grupos são definidos por setor, por função ou por turno, conforme a organização do trabalho, e grupo pequeno é reunido a outro já aqui, antes da coleta. É esse recorte que a alínea "e" do conteúdo mínimo pede no inventário. A empresa entrega o PGR ou a avaliação ergonômica preliminar vigente, o PCMSO, as políticas de gestão de pessoas e de prevenção ao assédio, e dados agregados de afastamentos, rotatividade e canal de denúncia. Lemos tudo isso antes da coleta: é o mapeamento preliminar, que diz onde concentrar o campo e alimenta a alínea "h" do inventário. Quem faz: coordenação e equipe de psicólogos. O que a empresa recebe: plano de trabalho aprovado e mapa de grupos.

Sensibilização. Sessões curtas, por unidade ou por videoconferência, conduzidas pela equipe técnica e nunca pela chefia: o que é risco psicossocial, como funciona o instrumento, o que acontece com o resultado e por que o anonimato é confiável. Registrada com data e número de participantes. É o primeiro mecanismo de participação do subitem 1.5.3.3. Quem faz: equipe de psicólogos. A empresa libera as pessoas e o horário.

Questionário. Trabalhamos com instrumentos validados, com ponto de corte publicado, escolhidos conforme o porte e o setor da empresa. O instrumento aplicado vai reproduzido por inteiro no anexo do laudo, com fonte e licença. Os funcionários respondem por plataforma própria: link ou QR code, sem login, sem nome, sem e-mail. A pergunta de lotação é opcional e informa, no próprio texto, o mínimo de respostas para o grupo aparecer separado. Nenhuma pergunta é obrigatória. A coleta fica aberta pelo período combinado no plano de trabalho, com lembrete no meio dele. A taxa de resposta é acompanhada todos os dias e comunicada à empresa; se a adesão ameaçar ficar baixa, reforçamos a sensibilização. A taxa final consta do relatório como dado: abaixo de certo ponto, a leitura muda e o campo pesa mais. Quem faz: plataforma e equipe de apuração; a empresa divulga o link pelos canais combinados e indica ponto de acesso a quem não tem aparelho próprio. É o segundo mecanismo de participação.

Campo, em paralelo. Enquanto o questionário está no ar: entrevistas com gestores sobre o trabalho real (como o ritmo é definido, o que acontece nos picos, como as metas chegam); grupos focais com trabalhadores da mesma unidade ou de unidades afins, sem chefia presente, em horário de trabalho; observação da atividade nas unidades de maior risco esperado, sem foto de pessoas; e a análise documental já iniciada. Em todo diagnóstico, o questionário é cruzado com ao menos duas dessas técnicas, e o plano de trabalho diz quais, quantas e onde. O que é dito sai como tema, nunca como frase de alguém. Quem faz: equipe de psicólogos. O que a empresa recebe: calendário do campo e, ao fim, o registro de datas e participantes dentro do documento.

Quando a unidade é pequena

Em unidades com poucas pessoas na mesma função, o grupo focal dá lugar à observação e ao diálogo individual, para evitar reidentificação. O resultado dessas unidades entra no total da empresa e não é apresentado em separado. Em grupos pequenos demais para questionário, o campo passa a ser a fonte principal. O campo não é plano B para empresa pequena: é parte de todo diagnóstico.

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Avaliar

Entregamos os documentos assinados

Apuração. Fechada a coleta, a plataforma calcula a pontuação por respondente e por dimensão, aplica os pontos de corte publicados do instrumento, mostra a faixa da soma média ao lado da distribuição dos respondentes em cada faixa, e produz o resultado da empresa e de cada grupo válido. Módulos complementares são lidos em separado, nunca somados. Quem faz: plataforma.

Classificação. O nível de risco sai de uma regra escrita, declarada no próprio documento como manda o subitem 1.5.4.4.2.2: a gravidade é fixa por fator (o pior agravo plausível segundo a literatura e o Guia do MTE); a probabilidade vem da exposição medida (a faixa do grupo ou a proporção de respondentes na faixa de risco, prevalecendo a pior); a matriz gravidade por probabilidade dá o nível. Qualquer relato de assédio, violência, ameaça, discriminação ou evento traumático é tratado como crítico sem passar pela contagem, e nunca é apresentado por grupo. Burnout, estresse e saúde geral são indicadores de efeito: apontam para onde estão as causas e não recebem nível nem medida própria. Quem faz: a plataforma aplica a regra; a equipe de psicólogos cruza cada dimensão em atenção ou risco com o que o campo mostrou e com os indicadores da empresa (afastamentos, horas extras, rotatividade, canal de denúncia), confirma o que depende de campo, e só altera um resultado com motivo escrito na ficha. Se o campo não explica uma dimensão, a equipe volta ao campo antes de escrever.

Recorte. Um grupo só aparece separado com cincorespondentes ou mais, número declarado no documento e definido antes da coleta; com menos de dez respondentes no total, o resultado é só da empresa e o campo passa a ser a fonte principal. Nenhum cruzamento de grupo com outra variável que reduza o subconjunto. As fichas descrevem o processo de trabalho, nunca as pessoas.

Apresentação prévia. Antes de fechar os documentos, apresentamos a versão preliminar à direção, para corrigir erro de fato e confirmar responsável e prazo de cada medida. O nível de risco apurado não muda nessa reunião, e medida recomendada e não acolhida fica registrada como tal. Quem faz: equipe de psicólogos e coordenação; a empresa traz quem decide. O que a empresa recebe: a versão preliminar e a ata.

Os três documentos. O Inventário de Riscos com o conteúdo mínimo do subitem 1.5.7.3.2, uma ficha por fator classificado como médio ou acima, e sempre para comportamentos ofensivos; o Plano de Ação na forma do subitem 1.5.5.2.1, uma ficha por medida (medida, hierarquia de controle, setor afetado, trabalhadores atingidos, responsável, prazo, forma de acompanhamento e aferição do resultado), ordenado pelo número de trabalhadores atingidos, como manda o subitem 1.5.5.2.1.1; e o documento de critérios do gerenciamento de riscos ocupacionais, exigido pelo subitem 1.5.4.4.2.2, com o método, o resultado por dimensão e por grupo válido, a síntese do campo, o registro dos três mecanismos de participação com datas, o prazo de reavaliação e o instrumento reproduzido em anexo. Para cada fator, ao menos uma medida de eliminação, proteção coletiva ou organização do trabalho: plano só de capacitação não é plano. A plataforma bloqueia a validação enquanto faltar qualquer alínea, campo do plano, mecanismo de participação, critério ou registro do campo, e não deixa existir risco no inventário sem medida no plano. A validação é registrada com nome, registro profissional e data; editar um documento validado derruba a assinatura e exige nova validação. Quem assina: equipe de psicólogos responsáveis técnicos. O que a empresa recebe: os três documentos no formato do seu PGR.

Por que não a média da empresa

Os riscos são caracterizados por grupo de exposição, e não como uma média da empresa inteira, porque a média esconde o setor onde está o problema.

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Orientar

Acompanhamos a execução

Devolutiva. Apresentação aos trabalhadores, presencial ou por videoconferência, do quadro consolidado, dos grupos com recorte válido, das medidas com responsável e prazo e de como o acompanhamento será feito. Não apresenta resultado por gestor, por função pequena nem citação de entrevista. Registrada com data e participação: é o terceiro mecanismo do subitem 1.5.3.3. Quem faz: equipe de psicólogos.

Orientação técnica à direção. Reunião de trabalho com a direção e síntese escrita: a leitura de cada medida, a sequência sugerida, os pontos de atenção e os indicadores de acompanhamento. As medidas são da empresa: recompor equipe, redistribuir meta, revisar escala. Quem faz: equipe de psicólogos; a empresa executa o que depende de decisão interna.

Capacitações. Conduzimos as capacitações nos temas que o diagnóstico apontou, para chefias e equipes, presenciais ou por videoconferência. Capacitação é uma das categorias de medida, nunca a única: entra no plano ao lado das medidas na organização do trabalho. Quem faz: equipe de psicólogos.

Por que a devolutiva é obrigatória

A devolutiva não é cortesia: o subitem 1.5.3.3 exige que os riscos consolidados e o plano sejam comunicados de volta a quem trabalha.

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Comprovar

Voltamos para conferir

Nos marcos do cronograma do plano, verificamos cada medida pelo indicador que ela mesma traz (reaplicação da dimensão quando couber, registros, indicadores da empresa) e registramos o resultado. O acompanhamento segue esse cronograma, e não uma mensalidade. O documento traz a data-limite de revisão da avaliação e as situações que a antecipam. Quem faz: equipe de psicólogos e plataforma.

Quando a reavaliação é antecipada

A avaliação de riscos é revista a cada dois anos, ou antes disso se houver mudança de processo, medida ineficaz, acidente, doença, mudança na norma, ou pedido justificado de trabalhador ou da comissão interna. O prazo pode ir a três anos na empresa que tem certificação em sistema de gestão de segurança e saúde.

Dois níveis de escopo

Diagnóstico e documentos

Diagnóstico com campo, os três documentos assinados, a sensibilização antes da coleta e a devolutiva aos trabalhadores.

É o escopo que cobre os três mecanismos de participação que o subitem 1.5.3.3 exige.

Diagnóstico, documentos e risco tratado

Tudo do escopo anterior, mais o acompanhamento da execução: orientação técnica à direção em cada medida, capacitações nos temas apontados, acompanhamento nos marcos do cronograma e aferição do resultado de cada medida.

É o escopo de quem quer que o risco diminua, e não apenas que o documento exista.

Os dois escopos são orçados sob proposta, conforme o porte e o setor da empresa.

Pedir uma propostaInforme o porte e o setor e receba uma proposta.

O que a empresa precisa fazer

Liberar as pessoas para a sensibilização, as entrevistas e a devolutiva é a maior parte do trabalho do lado da empresa.
  1. Indicar um ponto focal e entregar os documentos (PGR ou avaliação ergonômica preliminar, PCMSO, políticas) e os dados agregados (afastamentos, rotatividade, canal de denúncia).
  2. Definir conosco os grupos de exposição.
  3. Divulgar o link pelos canais combinados e liberar pessoas, horário e sala para a sensibilização, as entrevistas, os grupos e a devolutiva. Nenhum gestor aplica o questionário nem acompanha quem respondeu.
  4. Participar da apresentação prévia e assumir responsáveis e prazos.
  5. Executar as medidas que dependem de decisão interna e incorporar os documentos ao PGR.

A responsabilidade legal pelo programa de gerenciamento de riscos é sempre da empresa, mesmo quando a execução técnica é contratada. Isso está escrito na proposta, antes da assinatura.

Prazo, formato e sigilo

Prazo
Definido na propostaDepende do porte da empresa, do número de setores e turnos e do tempo que a coleta fica aberta. Vem escrito na proposta, etapa por etapa.
Formato
Brasil todoEquipe de psicólogos conveniados em todo o Brasil: sensibilização, entrevistas, observação, devolutiva e capacitações presenciais em qualquer cidade, ou por videochamada quando a empresa preferir. Apuração e documentos pela equipe central.
Sigilo
Nunca individualO resultado chega agregado por dimensão. Um grupo só aparece separado quando pelo menos cinco pessoas dele responderam, e com menos de dez respondentes no total nenhum recorte é apresentado. Assédio, violência e indicadores de saúde nunca saem por grupo.
Escopo
A organização, não a pessoaNão fazemos atendimento clínico individual. É o que preserva a imparcialidade do laudo.

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Para aprofundar